Depois da ilusão ...
Você está sonhando demais,
disse o medo,
como se amar fosse uma espécie de delírio
que a realidade precisasse curar.
Você vai me procurar
em todos os meninos,
em todos os bares,
em todas as ruas.
Não porque eu esteja neles,
mas porque alguma coisa de mim
ficará presa naquilo que, em você,
ainda não terminou de dizer adeus.
Você vai me amar para sempre.
Não a mim, exatamente,
mas à falta que meu nome inaugurou.
E talvez seja isso o amor.
Não possuir o outro,
mas carregar para sempre
a pergunta que ele deixou.
Aí, um dia,
depois de muito tempo,
você vai me ver.
E por um instante
o passado voltará inteiro.
A voz, o corpo,
o desejo,
aquela antiga vertigem
de acreditar que éramos destino.
Mas aí você vai achar
que foi uma ilusão.
E talvez tenha sido.
Porque o amor também é isso.
Uma verdade que só existe
enquanto acreditamos nela.
Talvez você não tenha me amado.
Talvez tenha amado
o que pôde ser em mim.
E talvez eu nunca tenha sido
o homem que você perdeu,
mas apenas o lugar
onde você encontrou
uma parte de si mesma
que ainda não conhecia.
Então você seguirá.
E eu também.
Mas haverá, em algum canto de você,
uma rua, um bar, um rosto qualquer
onde, por um segundo,
você vai pensar:
“Era ele.”
E logo depois,
como quem acorda de um sonho,
vai sorrir.
“Não.
Era apenas amor.”
Comentários
Postar um comentário