Entre a Falta que Seduz e a Presença que Assusta
Há sujeitos que sabem desejar, mas não sabem habitar o encontro. Movem-se pela falta, alimentam-se dela, fazem dela a bússola de seus afetos. O que está distante fascina. O que escapa encanta. O que não se alcança mantém o desejo vivo. Na ausência, tudo pode ser. Na fantasia, nada falta. Mas o amor real não se sustenta apenas no desejo. Ele exige a travessia da idealização. Exige o encontro com a alteridade, com aquilo que no outro não corresponde ao que imaginamos. E é aí que muitos recuam. Porque o outro concreto não é o objeto sonhado. Não cabe inteiro na fantasia. Não responde perfeitamente às demandas de amor. Não preenche o vazio estrutural que cada sujeito carrega. Deseja-se aquilo que falta, mas sustentar aquilo que se possui implica renunciar ao amor ideal. Implica reconhecer que nenhum encontro é capaz de apagar a incompletude humana. Há quem passe a vida repetindo o mesmo roteiro: investe no impossível, foge do possível, confunde intensidade com amor e ausência com desejo. A...







