O Justo Não se Justifica
Há um silêncio que fala mais alto do que qualquer defesa. Quem precisa convencer o Outro ainda negocia com a falta, ainda pede um lugar na linguagem do desejo alheio. O justo não coleciona argumentos. Habita o risco de sustentar o próprio ato. Porque o desejo, quando encontra sua verdade, não implora absolvição. A culpa fala demais. O medo produz discursos intermináveis. O narcisismo exige testemunhas. Mas há quem caminhe sem transformar cada passo em um tribunal. Nem toda acusação merece resposta. Nem todo olhar merece explicação. Nem toda ausência de defesa é sinal de fraqueza. Às vezes, é apenas alguém que compreendeu que o sujeito não se constitui naquilo que diz de si, mas naquilo que sustenta quando as palavras já não bastam. Como Xangô, não confunde justiça com a necessidade de vencer discussões. A pedra permanece pedra mesmo quando o vento tenta mudar seu nome. Quem carrega o machado da verdade não desperdiça sua força respondendo a cada voz. Sabe que o tempo é também um juiz, ...




