Entre o xadrez e o dominó
Não sei se é jogo ou experiência. Talvez estejamos todos improvisando diante do desejo, tentando encontrar alguma lógica naquilo que insiste em nos escapar. Movemos peças como no xadrez, calculamos palavras, antecipamos gestos, ensaiamos estratégias para não ficarmos tão expostos ao imprevisto do encontro. Mas o outro não é um tabuleiro que se deixa decifrar. Há sempre uma casa desconhecida, um movimento que não previmos, um desejo que não conseguimos acessar. E, como no dominó, basta uma peça fora do lugar para que toda a sequência imaginada precise ser refeita. Talvez nossas artimanhas sejam tentativas de contornar a angústia de não saber. De não controlar o próximo movimento, de não conhecer o pensamento que se esconde por trás de um silêncio. Entre o que digo e o que você escuta, algo se perde. Entre o que sinto e o que consigo dizer, algo permanece sem nome. A comunicação encontra sua barreira justamente onde imaginamos que as palavras deveriam nos aproximar. E então interpretamos...



