Agora Eu Escolho
Havia um lugar para ser escolhido e eu demorei a entender que alguns lugares parecem ter dono antes mesmo de alguém chegar. Eu era o moleque magro e fraco invisível na esquina feio para os olhos que aprenderam a desejar determinados corpos pobre em uma cidade onde quase tudo tem preço e preto em uma sociedade que ainda ensina o corpo negro a pedir licença para existir. Talvez tenha sido ali que nasceu a pergunta que atravessou minha infância e chegou à vida adulta: O que preciso ser para que alguém me escolha? Eu não sabia falar de falta. Então tentei preenchê la com utilidade. Se não podia ser desejado eu seria necessário. Se não podia ser escolhido eu seria indispensável. Eu faria mais. Entregaria mais. Suportaria mais. Talvez porque o inconsciente tenha encontrado uma forma possível de negociar com o desejo do Outro: eu sirvo logo posso ficar. Mas nem sempre funcionou. Vieram os empregos que não me escolheram. Vieram pessoas que também não ficaram. Vieram portas fechadas e aquela ve...




