Onde o cuidado ganhou outro rosto
Se a função primeira falhou em um ponto da história, ela não deixou de circular. Apenas encontrou outros corpos. E muitos deles eram femininos. Mulheres que, sem ocupar o lugar nomeado da paternidade, exerceram algo da sustentação que organiza. Não pela imposição da lei dura, mas pela permanência. Não pelo discurso autoritário, mas pelo cuidado que não abandona. Foram elas que seguraram o cotidiano. Que perceberam minhas ausências internas antes mesmo de eu conhecê-las. Que sustentaram a casa psíquica quando dentro de mim havia revolta. Porque houve revolta. Crescer sem aquele que deveria ocupar o primeiro lugar produz uma ferida que queima. Eu fui um filho atravessado por essa queimação. Questionava. Comparava. Sentia uma espécie de injustiça estrutural. Perguntava, mesmo em silêncio, por que em outras histórias a função se cumpria e na minha havia um intervalo. Essa revolta me moldou. Durante muito tempo, cada conquista carregava um subtexto silencioso: eu consigo. Mesmo sem você. Es...



