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Equilibristas

Não há equilíbrio. Há equilibristas. A vida não se apresenta como promessa de repouso. Ela chega em descompasso, abre fendas, desorganiza certezas e segue andando, mesmo quando a gente pede pausa. O sujeito nasce já em falta. Nunca inteiro. Nunca fechado em si. Algo sempre escapa, algo sempre falta, e é desse buraco que brota o movimento, o desejo, a insistência em continuar. O sonho do equilíbrio absoluto é, muitas vezes, um pedido de anestesia: que tudo pare de doer, que o conflito cesse, que o coração encontre uma forma final. Mas não encontra. Porque viver não é resolver. É sustentar. Sustentar o que não se encaixa. Sustentar o excesso e a ausência. Sustentar aquilo que retorna, mesmo quando juramos que já passou. Viver é lidar com o impossível sem a ilusão de vencê-lo. É inventar um jeito próprio de caminhar sobre o fio, sabendo que ele treme e que não há rede invisível prometida. Cada um se equilibra como pode: fazendo sintomas de abrigo, transformando escolhas em apoio, criando ...

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