A Cartografia do Inconsciente
Nasci sem caber nas respostas prontas. Enquanto o mundo parecia satisfeito com as certezas, descobri que minha morada sempre esteve nas perguntas. Nunca me interessou aquilo que se fecha, mas aquilo que insiste em permanecer incompleto. Compreendi que o desejo não caminha em direção às respostas; ele sobrevive justamente porque algo sempre falta. Talvez seja por isso que eu nunca tenha parado de me procurar. E, porque me procuro, aprendi a sentir antes mesmo de compreender. Existe em mim um oceano onde as palavras chegam sempre atrasadas. Habito uma sensibilidade que confunde, por vezes, a dor do outro com a minha própria, como se o sofrimento encontrasse em mim uma língua que ainda não conhecia. Escuto silêncios como quem escuta confissões e percebo que aquilo que não se diz também pede lugar. Mas toda água que acolhe corre o risco de esquecer suas margens. Descubro, então, que cuidar não exige que eu desapareça. É dessa travessia que nasce minha palavra. Não falo para preencher vazio...






