“A branquitude tem seus fantasmas, e nem toda consciência suporta o espelho - O que termina quando escolho não permanecer...."
Me Li até o fim. Não porque ainda esperasse alguma coisa, mas porque certas experiências precisam ser nomeadas antes de serem encerradas. Há feridas que não se explicam apenas pelo que aconteceu, mas também pela maneira como alguém se recusa a reconhecer o que fez. Havia medo, sim. Mas o medo tem história, cor e memória. Quando um homem negro é transformado em ameaça antes mesmo de falar, não estamos diante apenas de uma fantasia individual. Há um inconsciente social que antecede o sujeito, um olhar que suspeita antes de conhecer e uma estrutura que ensina determinados corpos a se justificarem continuamente. O racismo também se manifesta naquilo que não se reconhece como racismo. E a branquitude pode operar justamente aí: na facilidade de preservar a própria inocência, de tratar a experiência do outro como exagero e de exigir compreensão sem assumir a responsabilidade de examinar os próprios privilégios. Não basta não se considerar racista. É preciso confrontar aquilo que se reproduz, ...


