Amanhecer de verão
O dia nasce devagar,
belo como um segredo revelado.
É verão.
E o sol surge não como urgência,
mas como promessa,
tocando a pele
com a ternura de quem ama.
Há uma poesia inteira
no simples ato de ver a manhã chegar.
Os passarinhos anunciam o mundo
como se declarasse amor à vida,
e os primeiros acordes de um violão
se espalham no ar,
românticos,
fazendo do silêncio um abraço.
O ar é leve,
o tempo suspira,
e por alguns instantes
nada é exigido de nós.
Só sentir.
Só estar.
O mar respira em calma
e amar também desacelera.
Amar assim, sereno,
sem ruídos,
sem defesas,
é aprender com as ondas
que o amor não precisa gritar
para ser profundo.
Começar o dia desse jeito
é quase um gesto de devoção.
Ver o sol nascer
é assistir à beleza se refazendo,
é entender que tudo pode recomeçar.
O dia começa lindo,
como um ano novo íntimo,
sem fogos,
apenas luz.
Ainda há poucas pessoas na rua,
as atribulações dormem,
os excessos não despertaram.
O mundo está mais sensível,
mais gentil,
mais possível.
É renascer sem alarde,
renovar as energias
com a delicadeza de quem se permite.
É abrir espaço
para novos encontros
e reencontros
que se reconhecem no olhar.
No nascer do dia,
as energias se encontram,
se reconectam,
se alinham.
E o coração entende,
romântico e em paz,
que todo amanhecer
é uma forma silenciosa
de amor.

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