Entre o Fôlego e o Laço
fui longe
além do ponto onde o fôlego sustenta o nome
onde o eu ainda se reconhece
o mar cresceu dentro de mim
deixou de ser campo
para se tornar excesso
por um instante
não havia volta
o fôlego faltou
o corpo cedeu
afundava
mas algo me devolvia
como se o fundo não fosse destino
afundar
não era cair
era tocar o limite
e voltar
havia um caminho
mas não levava ao início
levava ao possível
porque o início
já não existia como antes
ao meu lado
alguém que um dia precisei salvar
marcado por essa cena
de precisar ser salvo
mas agora
ele flutua
não por mim
não só
há um suporte
que não me convoca inteiro
e isso mudou o peso
das minhas mãos
deslocou
o lugar que eu ocupava
não era mais sobre força
nem sobre dar conta de tudo
não é mais preciso
sustentar tudo
era sobre encontrar
e encontrei
um atalho que não se vê com pressa
um gesto simples
uma passagem aberta
então não é força
não é repetição
é atalho
uma invenção do sujeito
diante do impossível
saí
saímos
e só depois percebi
que nunca estive desligado
havia um fio
silencioso
inteiro
o laço estava lá
no bolso
operando em silêncio
voltamos
não lutando contra o mar
mas caminhando
voltamos andando
como quem atravessa o invisível
sem se perder dele
como quem aprende
que não é preciso se perder inteiro
nem afundar o outro
nem a si
para existir
no laço
e voltar ao chão


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